Atividade industrial registra menor nível desde fevereiro de 2010, diz CNI

São Paulo – A utilização da capacidade instalada (UCI) na indústria recuou 0,3% em outubro na comparação com setembro, atingindo o menor nível desde fevereiro de 2010, segundo dados com ajustes sazonais. O setor industrial operou em outubro, em média, com 81,4% da capacidade instalada ante 81,7% no mês anterior. As informações são da pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ontem à tarde em Brasília. –

Outro indicador de produção, as horas trabalhadas, também teve redução de 0,5% no período, conforme dados dessazonalizados. Segundo a pesquisa, esse indicador confirma a moderação da atividade industrial, pois é, praticamente, o mesmo registrado em dezembro de 2010. Apesar de contínuas quedas em indicadores de produção, o faturamento da indústria cresceu em outubro pelo quinto mês consecutivo. No mês passado, na comparação com setembro, o faturamento da indústria aumentou 1,4%, com ajuste sazonal.

De acordo com o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, o crescimento contínuo do faturamento industrial mesmo diante do desaquecimento do setor chama atenção. “Isso pode ser explicado, principalmente, pelo contínuo acúmulo de estoques indesejados que faz com que a indústria pare de produzir para que as mercadorias sejam vendidas”, destacou. “O aumento dos insumos importados em alguns setores também pode explicar esse descolamento do faturamento com a produção”, completou.

O emprego aumentou 0,2% em outubro na comparação com o mês anterior, pelos dados dessazonalizados. O indicador voltou a crescer após queda de 0,3% em setembro sobre agosto. A tendência, segundo Fonseca, é de que o emprego deve crescer cada vez menos. “Os movimentos no mercado de trabalho ocorrem com certa defasagem em relação à produção. Mas as expectativas para o próximo ano são de que haja desaquecimento do emprego na indústria”, disse.

Mesmo com o aumento das vagas no mercado de trabalho, o indicador de massa salarial recuou 1,1% em outubro frente a setembro, conforme dados sem ajuste sazonal. A pesquisa atribui a queda nos salários à forte contração dos rendimentos médios reais, cujo indicador teve retração de 1,4% em outubro ante setembro, pelos dados sem ajuste sazonal. Foi a maior queda para meses de outubro desde o início da série, em 2006.