Brasil investe para vender nióbio à China

Folha SP

Cia. Brasileira de Metalurgia e Mineração usa ´marketing especializado´ para mostrar vantagens do uso do metal

Em 35 anos, empresa amplia exportações em 1.000%; EUA, Japão, Cingapura e Europa também são clientes

ELIDA OLIVEIRA

DE RIBEIRÃO PRETO

Para criar um mercado inexistente até a década de 1960 para o nióbio -metal que faz com que o aço seja mais resistente-, a CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) investiu na China nos últimos 20 anos.

A estratégia consistiu numa espécie de “marketing especializado”: técnicos e pesquisadores foram enviados ao país asiático para abordar as vantagens do uso do metal. O motivo é simples: na China estão grandes siderúrgicas.

Nessas empresas e em centros de pesquisa chineses, a CBMM também deu bolsas de estudo aos asiáticos chineses para eles mesmos desenvolverem pesquisas sobre novas aplicações para as ligas.

O investimento deu certo. Hoje o país asiático compra 26,6% da produção de ferronióbio da CBMM, segundo o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).

A companhia está localizada em Araxá -cidade a 367 km de Belo Horizonte-, onde se concentram as maiores reservas de nióbio do mundo. O ex-secretário nacional de Minas e Energia Luciano Borges, da Adhoc Consultores Associados, define o Brasil como o principal “player” no mercado atualmente.

“É um insumo importante para a indústria, mesmo [com o metal] entrando como uma pequena parte na composição das ligas”, disse.

EXPANSÃO DE MERCADO

Em 35 anos, a CBMM conseguiu expandir em 1.000% suas exportações. Em 1975 foram exportadas 5.400 toneladas de nióbio; no ano passado, 61,9 mil toneladas, conforme dados da empresa.

Além da China, compram ferronióbio da CBMM os países da União Europeia (32,8%), os EUA (15%), Cingapura (14%) e Japão (10,75%), segundo o DNPM.

Segundo a CBMM, o nióbio está presente em somente 10% da produção mundial de aço, estimada em 1,2 bilhão de toneladas, mas a tendência é crescer.

A companhia estima aumentar em 60% as exportações até 2015. Neste ano, investidores japoneses e sul-coreanos compraram 15% da CBMM temendo o avanço da China nesse mercado.

No ano passado, a estatal East China Exploration comprou o controle da Globe Metals & Mining, australiana com reservas na África.

APLICAÇÃO

Os aços microligados com nióbio podem ser usados na construção civil e nas indústrias mecânica, aeroespacial, naval e automobilística. O Brasil conta com 98,43% das reservas mundiais, de acordo com o DNPM Pesquisas desenvolvidas na Unicamp comprovaram que a mistura de titânio com nióbio produz uma liga com estrutura semelhante ao osso humano. Com isso, pode ser usada em próteses, sem efeito colateral.