Centrais pedem comissão sobre desindustrialização

Líderes sindicais se reuniram ontem com Marco Maia no Planalto

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, disse ontem (27) que recebeu do presidente da Câmara e presidente da República em exercício, Marco Maia, o compromisso de instituir na Casa uma comissão geral para discutir a desindustrialização no país.

Pauta de reunião com líderes de centrais sindicais no Palácio do Planalto, o enfraquecimento do setor preocupa o governo, que anunciou no dia 26 prorrogação, até o final de junho, do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para eletrodomésticos da linha branca (fogão, geladeira, máquina de lavar e de secar).

Governo oficializa prorrogação de IPI menor para linha brancaEsperamos estimular a reativação da economia, diz Mantega´Quem tiver que comprar, vá comprar´, diz Mantega sobre linha brancaVarejo pede prorrogação de IPI menor para linha brancaSegundo Paulinho, a comissão seria composta de intelectuais, economistas e empresários, que discutiriam soluções para a crise. Em reunião com a presidente Dilma Rousseff na semana passada, empresários já haviam apontado o câmbio (valorização do real frente ao dólar, que tira a competitividade dos produtos brasileiros), alta carga tributária e a infraestrutura deficiente como três dos grandes problemas a serem enfrentados para evitar o processo de desindustrialização do país.

Uma comissão geral geralmente é instituída para discutir assuntos de agenda, ouvir autoridades e debater proposta de iniciativa popular. Na comissão geral, convidados podem usar a palavra, o que não ocorre em sessões plenárias comuns, quando apenas parlamentares têm esse direito.

Agenda
Desde a noite de domingo na Presidencia da República, Marco Maia tem, além de despachado do Palácio do Planalto, mantido agendas de articulação política com deputados. Nesta terça-feira, recebeu líderes da oposição em almoço, além de ter dedicado a parte da tarde para receber parlamentares em seu gabinete.

“São só quatro dias como presidente da República, mas ele é também presidente da Câmara”, disse Paulinho, questionado sobre como tratar de questões do Legislativo com Maia no Planalto. “Vamos aproveitar que a mulher [Dilma] saiu”, brincou, reiterando que as relações de Dilma com o Congresso são favoráveis para negociações: “Se não houver negociação, teremos mais um enfrentamento na Câmara.”

Os líderes das centrais discutiram também com Maia o fim do fator previdenciário, o fim da cobrança de imposto de renda em participação de lucros e abonos salariais e a diminuição da jornada diária de trabalho – pautas tradicionais das agendas sindicais.