Mercado prevê queda menor da taxa Selic

Jornal da Tarde

Acabou o consenso de que o Banco Central seguirá com a estratégia de reduzir o juro básico da economia em doses de 0,5 ponto nos próximos meses, como fez na semana passada e previam os analistas. Levantamento divulgado ontem mostra que boa parte do mercado já trabalha com a hipótese de que o corte da Selic deve perder força a partir de abril.

Na primeira pesquisa Focus após a reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), economistas mantiveram a previsão de que o juro deve ser novamente cortado em meio ponto em março, o que deve reduzir a Selic a 10% ao ano. A previsão para abril, porém, foi alterada. Até a semana passada, o mercado acreditava que essa redução do juro seria a última do ano.

Agora, a aposta de corte para o mês foi reduzida à metade, de 0,5 ponto para 0,25 ponto. A partir daí, a pesquisa Focus mostra cenários divergentes. Os mais otimistas preveem continuidade da queda em maio. Mais conservadores, outros analistas trabalham com a estabilidade até agosto, quando a Selic cairia de novo, para fechar o ano em 9,5%.

Na ansiedade pela ata da reunião da semana passada, há até alguns economistas falando sobre a possibilidade de o corte de abril ser o último do ano.

Dois motivos levam o mercado a prever um BC menos ousado: a expectativa pela redução de gastos do governo brasileiro e a percepção de melhora da crise externa.

No quadro interno, o mercado está mais cauteloso à espera da decisão do governo de quanto será cortado do Orçamento de 2012. Há expectativa de cifra entre R$ 60 bilhões e R$ 70 bilhões. Nesse assunto, quanto menos o governo cortar, menor será o espaço para a diminuição do juro. Ao reduzir o Orçamento em valor inferior que o projetado, o poder público vai, na prática, colocar mais dinheiro na economia e, assim, pressionará a inflação para cima.

Há, ainda, a crescente percepção de melhora do ambiente externo. Nos últimos dias, as boas notícias vieram de vários cantos do planeta: há sinais de reação mais forte dos Estados Unidos, cresce a expectativa por um acordo entre credores e o governo da Grécia e, na China, indicadores apontam um “pouso suave” da segunda maior economia global.